O PEI, Plano Educacional Individualizado (também chamado de Plano de Ensino Individualizado), organiza o que a escola vai fazer para que uma criança com necessidades específicas participe, aprenda e se desenvolva junto com a turma. Na educação infantil, ele tem uma particularidade: não se organiza por conteúdos, e sim pelas experiências que a criança vive na escola.
Este guia mostra como montar um PEI na prática, com a família, usando os campos de experiência da BNCC.
O que diz a lei
- A Lei Brasileira de Inclusão (Lei 13.146/2015) garante um sistema educacional inclusivo e prevê o estudo de caso e o plano de atendimento educacional especializado. Ela vale também para as escolas particulares, que não podem cobrar valores adicionais na mensalidade ou na matrícula por isso.
- A Lei 12.764/2012 reconhece a pessoa com transtorno do espectro autista (TEA) como pessoa com deficiência para todos os efeitos legais.
- A Nota Técnica nº 4/2014 do MEC orienta que o laudo médico não é documento obrigatório para o atendimento educacional especializado, porque esse atendimento é pedagógico.
Na prática: a escola não precisa esperar um laudo para planejar o apoio a uma criança.
PEI na educação infantil: pelos campos de experiência
A BNCC organiza a educação infantil em seis direitos de aprendizagem (conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se) e em cinco campos de experiência:
- O eu, o outro e o nós
- Corpo, gestos e movimentos
- Traços, sons, cores e formas
- Escuta, fala, pensamento e imaginação
- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações
Organizar as metas do PEI por esses campos mantém o plano conectado ao que toda a turma vive e evita que ele vire uma lista de comportamentos a corrigir.
Como montar o PEI em 7 passos
1. Conhecer a criança com a família
Antes de qualquer meta, entenda quem é a criança: do que gosta, o que acalma, o que incomoda, como se comunica, como reage a barulho, luz e toque. A família é quem mais sabe, e um bom PEI começa por essa conversa.
2. Observar e registrar
Durante algumas semanas, registre momentos da rotina: quando a criança participa, quando se desorganiza, o que aconteceu antes e o que ajudou. Esses registros são a linha de base do plano.
3. Definir poucas metas, claras e observáveis
Três a cinco metas por período bastam. Cada meta precisa dizer o que se espera, em que situação e com que apoio. Alguns exemplos:
- O eu, o outro e o nós: participar da roda de conversa por 5 minutos, com apoio visual, em 3 de 5 dias.
- Corpo, gestos e movimentos: subir e descer o escorregador com autonomia, com o colega ao lado.
- Escuta, fala, pensamento e imaginação: pedir água usando a prancha de comunicação ou a fala, nas refeições.
- Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações: antecipar a próxima atividade olhando a agenda visual da turma.
4. Escolher estratégias e recursos
Para cada meta, defina como a escola vai apoiar: agenda visual, antecipação das mudanças, mediação de um adulto, adaptações sensoriais (como abafador de ruído ou cantinho calmo), prancha de comunicação e histórias sociais.
5. Definir responsáveis e prazos
Quem faz o quê: professor da turma, mediação, atendimento educacional especializado (AEE), coordenação, família e, quando houver, os terapeutas da criança. Combine também a data da próxima revisão.
6. Registrar o progresso
Registros curtos e frequentes valem mais do que um relatório longo no fim do semestre. Anote o que funcionou, o que não funcionou e as conquistas, mesmo as pequenas.
7. Revisar com a família
Revise o PEI pelo menos a cada semestre, ou antes, se a criança mudar muito. A família deve tomar ciência das metas e dos avanços, e ter espaço para contribuir.
Erros comuns
- Copiar metas de outro aluno. Cada PEI parte da criança real.
- Metas vagas, como “melhorar a socialização”. Sem situação e critério, ninguém sabe se a meta foi atingida.
- Plano na gaveta. O PEI precisa estar à mão de quem está com a criança, todos os dias.
- Falar de diagnóstico, e não de apoio. O foco é o que a escola faz para a criança participar.
- Família de fora. O PEI feito sem a família perde a principal fonte de informação e de continuidade em casa.
Como o Lumi ajuda
No Apoio e Inclusão do Lumi, o PEI é organizado pelos campos de experiência da BNCC, com registros de progresso e a ciência da família. O cartão “Sobre mim”, o mapa sensorial, os registros de momentos e a agenda visual ficam no mesmo lugar, e nada é registrado antes de a família autorizar.
Perguntas frequentes
O PEI é obrigatório?
A Lei Brasileira de Inclusão prevê o plano de atendimento educacional especializado e o estudo de caso como parte do sistema educacional inclusivo. Muitas redes e escolas adotam o PEI como o documento que organiza esse planejamento.
Precisa de laudo para fazer o PEI?
Não. A Nota Técnica nº 4/2014 do MEC orienta que o laudo médico não é obrigatório para o atendimento educacional especializado.
A escola particular pode cobrar a mais pelo PEI ou por um mediador?
Não. A Lei Brasileira de Inclusão proíbe a cobrança de valores adicionais de qualquer natureza para cumprir essas determinações.
De quanto em quanto tempo revisar o PEI?
Pelo menos a cada semestre, ou antes, quando a criança mudar muito ou quando uma meta for atingida.
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Funcionalidade
Apoio e inclusão
Apoio e Inclusão do Lumi: cartão Sobre mim, PEI pela BNCC, agenda visual, prancha de comunicação com voz e registro de momentos, com a família.
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